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Board Game: Swords and Bagpipes

Board Games (jogos de tabuleiro), são um ramo de entretenimento pouco conhecido pelas pessoas. No Brasil, o número de entusiastas e interessados no hobby cresceu imensamente na última década. Este aquecimento no mercado de Board Games proporcionou a vinda de diversos títulos, para todos os tipos de gostos e ainda proporcionou a criação e nascimento de novas editoras, aumentando novos títulos aos jogadores.


Mas o que são estes títulos? E o que o História e Combate Medieval tem a ver com este tipo de entretenimento? Os Board Games possuem uma infinidade temática. Encontramos jogos mais simples, que geralmente duram 40 minutos, até a jogos que podem durar 6 a 8 horas. O mais interessante, é que este tipo de jogatina não é enfadonha ou deixa a desejar a imersão do jogo.


Para nós do Historia e Combate Medieval, nos interessam os títulos históricos e os fantasiosos que criam um diálogo direto com a historicidade. Neste sentido, chegamos ao Swords and Bagpipes, em tradução literal, “Espadas e Gaita de Foles”. Um jogo lançado pela Mamute Jogos, uma empresa nacional, em parceria e contrato com a Rightgames.


É um jogo de blefe, ação simultânea, gestão de cartas na mão e posicionamento de itens e cartas de forma secreta. Podemos dizer que apenas pelas mecânicas, a diversão é garantida!


História e Imersão


Swords and Bagpipes é um jogo que se passa na Primeira Guerra de Independência Escocesa. Cada jogador assume a liderança de um clã escocês que possui a tarefa de defender seu reino do crescente poder do Reino da Inglaterra. Por outro lado, o jogador, pode escolher um infame papel de traidor e se aliar ao exército inglês.


Estes clãs escoceses, possuem acostamento histórico. Destaque especial para a Casa de Bruce, que tempos depois, lideraria por meio de Robert de Bruce, uma nova Guerra de Independência que renderia frutos mais promissores aos escoceses, ao observamos a real história medieval.


Os ingleses avançam por meio dos castelos e assentamentos até chegar no último grande bastião de defesa da Escócia, onde os jogadores farão uma última e desesperada defesa em um típico estilo de “last stand” perante o invasor inglês na fortaleza de Inverness. Mas não se assustem! Há outras fortalezas para defender antes e nem tudo está perdido. Confie no furor escocês!


O jogo conta com cartas de evento da Primeira Guerra de Independência, eventos estes, que foram históricos. Portanto, podemos esperar interessantes passagens como a aparição de William Wallace, ajuda e mantimento da aliança entre o Reino da França e o Reino da Escócia, intervenção e posicionamento do Papa perante o conflito e finalmente, a aparição pessoal de um dos maiores reis que a Inglaterra da Casa Plantageneta teve em seus annales: O Rei Eduardo I, o “Martelo dos Escoceses”.


O jogo trabalha com a possibilidade de traição a todo momento. O clã que trair, terá benefícios em ouro, mas ganha fichas de infâmia. A liberdade da Escócia vale menos do que o enriquecimento de um senhor feudal da Escócia, que resolveu se aliar aos ingleses? Ou será que vale a pena arriscar todo seu dinheiro e homens na implacável luta pela liberdade?


As batalhas são bem interessantes e são feitas pela contagem do número de unidades presentes no campo de “batalha”. O jogador não é obrigado a enviar todo seus homens para o combate, mas pode ser surpreendido e fracassar em sua ambição. Existem variáveis que tornam o combate ainda mais imprevisível, melhorando e bastante a rejogabilidade.


A imersão do jogo é boa. Como o objetivo do jogo é contar pontos de vitória pelo clã mais poderoso e isso significa que, a contagem de poder se dá pela quantidade do tesouro de cada jogador, há sempre um grande dilema em mente: Manter o espírito patriótico, lembrando-se sempre do filme Coração Valente, ou trair a Escócia e se unir as fileiras para lutar contra o próprio povo em troca de uma boa soma de dinheiro? Esta balança está sempre pendendo.


O jogo possui uma animação em arte mais cartunizada, não é um desenho buscando o realismo, portanto, teremos roupas anacrônicas e equipamentos fantasiosos. Mas damos uma dica para os mais rigorosos com historicidade: Isso não afeta em nada o andamento do jogo. Jogue-o esperando ver escoceses de kilt em plena Idade Média, pintados de azul no rosto e gritando por liberdade.


Um interessante apontamento, no manual do jogo nos deparamos com canções como “Scots wha hae” e “Such a parcel of Rogues in a Nation”. Mesmo não sendo canções medievais, a primeira é o hino do Partido Nacional Escocês e a outra foi composta por Robert Burns no ano de 1791, são canções que elevam e valorizam a história de combate e luta pela liberdade e soberania do povo e do Estado Escocês.


Ademais, na parte final do jogo, temos uma lista de eventos históricos situando o jogador da ambientação da Primeira Guerra de Independência Escocesa. Dentre os eventos, podemos destacar sobre João de Baliol (rei da Escócia); a traição de Bruce; influência papal; linhagem de David e “Vive la France!”. O cuidado e o detalhe da Righgames e da Mamute Jogos foram excepcionais neste aspecto. Uniram cultura com a diversão, tonando o jogo ainda mais interessante.


Expansões


O História e Combate Medieval foi contemplado com as expansões fornecidos pela Mamute Jogos. São duas expansões pequenas, mas que não perdem a essência dos Board Games em adicionar novas mecânicas e neste jogo, podemos falar que há uma repaginada adicionando novas mecânicas ao jogo na parte da intriga.


A primeira expansão, “Adagas Especiais”, adiciona novas cartas especiais ao baralho, aumentando ainda mais a possibilidade e nuance das traições contra o Reino da Escócia. Devemos lembrar que tudo tem um preço. Mais ouro caso a Inglaterra vença a guerra? Claro! Mas também pode escolher um reforço mais do que bem vindo de unidades para a batalha final contra o Rei Eduardo I.


A outra expansão “Conheça Seu Inimigo”, é voltada a suposição e probabilidade, claro, com o sistema de ação e consequência. O jogador deve apostar em quem será o traidor da Escócia naquele turno específico. Se acertar, será contemplado com uma boa recompensa......caso contrário, terão as consequências.


Além das duas expansões, recebemos a carta promocional “o Herói”. Afinal, apoiar a Escócia nas batalhas contra o poderoso Reino da Inglaterra é uma tarefa bastante árdua, mas o heroísmo e a lealdade devem ser devidamente recompensados!


Conclusão e Veredito


Swords and Bagpipes trabalha com base no “Dilema do Prisioneiro”. Traição traz mais ouro, mas causa infâmia. O jogador deverá saber trabalhar com todos os recursos possíveis e a emoção está presente em cada momento. É um jogo onde o momento histórico foi devidamente valorizado pelos criadores e ilustradores, portanto imersão e diversão andam mais do que juntos.


O jogo ainda conta com dois finais, um para cada devida conclusão da guerra: Seja por vitória do Reino da Escócia ou da Inglaterra, portanto, os clãs devem pensar em quantas vezes vão trair e caso assim queiram, pois não é obrigatório usar a mecânica de traição.


As expansões e a carta promocional tornam o jogo ainda mais interessante, criando uma dúvida no jogador caso este pense em declarar para um colega de mesa, taxando-o de traidor.


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