Colina de Tara
- Carolíngio

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Colina de Tara
A Colina de Tara é um local extremamente importante para a cultura celta na antiguidade e no período pagão, antes da cristianização da Irlanda. Além de sua importância na história, enquanto local histórico e com fortes contribuições para a cultura material, Tara também se faz presente em diversas histórias da mitologia celta das Ilhas Britânicas, principalmente a mitologia local irlandesa.
Originário do gaélico irlandês, Teamhair or Cnoc na Teamhrach, a “Colina de Tara”, também era conhecida como Teamhair na Rí, “Tara dos Reis” ou Liathdruim, “cume cinza”. De raiz proto-celta, Temris, que significa templo. A língua altera-se para o gaélico e para outras versões como a latinização ou a anglificação de nomes celtas.
Tara possui um significado simbólico e religioso para as populações locais desde o período neolítico, ganhando mais importância na Era do Ferro em diante. Possuindo tumbas, geralmente no estilo celta de “tumbas de passagem”, cobertas com gramas, túmulos fechados, simulando novas colinas arredondadas, cobertas de gramas e um grande monólito, que historiadores e arqueólogos acreditam ser Lia Fáil, a “Pedra do Destino”.
Localizada no condado de Meath, os Altos Reis da Irlanda, de acordo com a tradição e os relatos de cultura oral, eram coroados.

Monumentos
Atualmente, podem ser identificados cerca de vinte monumentos. De acordo com a Universidade de Oxford, haviam cerca de três vezes mais monumentos em Tara. Isto nos mostra a importância da região e do local, sendo o maior centro político e religioso da Irlanda.
O monumento mais antigo é Dumha na nGiall, “O monte dos refugiados”, uma tumba de passagem erguida no Período Neolítico que tem uma estimativa média de construção desde 3.200 a.C. Contém restos mortais de uma comunidade inteira, aproximadamente de um período de um século. Pelos rituais fúnebres, por cremação. A partir da Idade do Bronze, com o aumento da complexidade das sociedades, apenas os indivíduos de status mais elevados passam a ser enterrados neste tipo de tumba.
O último enterro em Dumha na nGiall é de um homem jovem, de posição social elevada, com um colar e uma adaga bem adornados. Duas pulseiras de ouro foram encontradas e datam cerca de 2.000 a.C.
Entre o Período Neolítico ou o início da Era do Bronze, um grande círculo duplo de madeira ou como os arqueólogos britânicos nomearam, um “wood henge”, foi erguido no topo da colina. Tinha cerca de 250 metros de diâmetro, com tumbas menores: Dall, Dorcha, Dumha na mBan-Amhus, “Monte das mulheres mercenárias” e Dumha na mBó, “Monte da Vaca”. O círculo foi retirado em uma das reformas e alterações estruturais ou eventualmente decaiu pelo desgaste do tempo. Todas estas tumbas são visíveis nos dias de hoje.
Avançando para a Idade do Ferro, novas tumbas são erguidas. O maior de todos é Ráth na Ríogh, “A Colina dos Reis”, com mais de mil metros de circunferência, cercado por uma paliçada. Com ossos humanos, de cães e cavalos foram encontrados.
No topo destas tumbas, está o monólito conhecido como a Pedra do Destino, importantíssima para alguns mitos irlandeses e de valor histórico, pois era o local onde os Altos Reis da Irlanda eram coroados em uma cerimônia solene, de peso político e religioso. De acordo com a tradição, a pedra iria emitir um “rugido” assim que o verdadeiro Alto Rei a tocasse. Pesquisadores de Oxford acreditam que a Pedra originalmente estava no Monte dos Refugiados.
Ao norte da lendária colina está Teach Miodhchuarta, “O Hall de Banquete”. Era um caminho cerimonial que levava ao topo da colina. Os trabalhos arqueológicos nos indicam que foi um dos últimos monumentos a serem construídos em Tara.
Construído na parte central do antigo “wood henge”, está Ráth na Seanadh, “Ira dos Sínodos”, formando quatro bancos, com tumbas internas. Datam do século I ao IV d.C., com artefatos romanos encontrados no seu interior. Foi destruído e violado pelo movimento dos britânicos israelitas, no século XX, enquanto procuravam a Arca da Aliança.
Outras tumbas importantes como Ráth Laoghaire, “Forte de Laoghaire”, o local de descanso eterno do lendário Rei e ao sul da colina, Claonfhearta, “Sepulturas Inclinadas”, a noroeste Ráth Gráinne e Ráth Chaelchon, mais tumbas da aristocracia local.

Simbolismo e Conhecimento
A entrada do “O monte dos refugiados” está perfeitamente alinhado com os raios do sol nascente nos tempos de Samhain, a festa dos povos celtas que marca o começo do inverno, mais especificamente o solstício de inverno. O mesmo ocorre com Imbolc, o festival que marca o começo da primavera. Um grande encontro da nobreza guerreira irlandesa ocorria em Tara chamado feis Temro, a “festa de Tara”, na época de Samhain.
Tara tem um forte valor simbólico e religioso. Sendo o local de nomeação e coroação do Alto Rei da Irlanda, possui um status maior que as demais capitais reais da Irlanda. O historiador Dáibhí Iarla Ó Cróinín escreve que o Alto Rei não tinha apenas um grande valor político de reunião e poder elevado com os demais tronos locais, mas tinha um papel fundamental na composição cultural e religiosa dos irlandeses, uma vez que boa parte das histórias envolvem Tara ou o Alto Rei.
Na colina há a Pedra do Destino. De acordo com a tradição pagã, a pedra foi levada até a Irlanda pelos deuses. Por possuir poderes mágicos, iria reconhecer diretamente o Alto Rei da Irlanda.
Diante disso, diversas figuras reais surgem na história Irlandesa, entre reis que são históricos, outros presentes na mitologia e alguns históricos, mas com feitos mitológicos. Importante mencionar que havia um culto a sacralidade desta Alta Monarquia. Reis que serviam de exemplos por feitos heroicos e belicosos, outros famosos e eternizados por feitos de justiça e governança. Após o século VI, figuras que ficam “entre os mundos surgem”: Buscando unir a moral cristã e pagã.
Política: A região ficou por posse das tribos Iverni por séculos, até ser conquistada por Laigin no século III. Niall dos Nove Reféns desloca Tara de Laigin no século V, transformando-a em um local cerimonial da dinastia Uí Neíll.
Este controle político vai ser mantido até o século X. Posteriormente, Tara passa a perder a importância e prestígio político diante das mudanças que a Irlanda estava passando e o local de controle que o Alto Rei da Irlanda prefere exercer, passa a variar sobre Dublin, Limerick e Waterford.
Os Anais da História Irlandesa descreve um conflito no ano de 980: A Batalha de Tara. De um lado, irlandeses de Meath, liderados pelo Rei Máel Sechnaill mac Domnaill contra vikings de Dublin, liderados por Amlaíb Cuarán. A batalha termina com vitória irlandesa permitindo avanço irlandês sobre território e a reconquista de Dublin.

Todos os Caminhos Levam a Tara: De acordo com uma antiga lenda que remete a cultura da oralidade, Tara também teria um valor simbólico a ponto de interligar os locais mais importantes da Irlanda.
A primeira referência a esta tradição está em “A Destruição do Hall de Da Derga”.
Os cinco caminhos são:
I – Slighe Assail: Caminho oeste, em direção a Lough Owel e depois a Rathcroghan.
II – Slighe Midluachra: Passa por Slane, depois Navan Fort, terminando em Dunseverick.
III – Slighe Cualann: Caminho através de Dublin e do antigo distrito de Cualann através de Waterford.
IV – Slighe Dala: Passa através de Ossory.
V – Slighe Mhór: Conhecido como a “Grande Estrada”, passa através de Esker Riada até o Condado de Galway.

Nova Fé
Uma igreja é construída no lado oriental da colina. As primeiras evidências materiais do templo católico em Tara nos leva ao século XII e início do século XIII.
A igreja foi concedida aos Cavaleiros Hospitalários de São João de Kilmainham. O ato foi formalizado pelo Papa Inocêncio III.
O tempo passou, a estrutura passou por grandes mudanças e transformações. A igreja que está presente nos dias de hoje é do século XIX, do ano de 1822-1823. Há um local marcando as estruturas da antiga igreja e parte dos materiais da igreja moderna foram retirados das ruínas do antigo templo.
Atualmente, a igreja não possui funções religiosas, mas sim como um centro de visitantes, parte dos Escritórios de Serviços Públicos do governo irlandês.

Fontes: Hill of Tara – World History Encyclopaedia
Os Mitos Celtas: Um guia para deuses e lendas antigas – Miranda Aldhouse-Green
Procession and Symbolism at Tara – Oxford Journal of Archaeology - Connor Newman
The Mythology of Tara - Carrowkeel
The Mythology of the Hill of Tara – Irish Archeology


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