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Era Viking: Fortalezas

Ao falarmos dos vikings muitas coisas vem às nossas cabeças, como: incursões, invasões, batalhas, sempre ligado ao ataque. Porém, é importante compreender como eles se defendiam, pois dentro do mundo escandinavo, como é sabido, houve diversos momentos em que o mundo nórdico não era unificado, existiam diversos conflitos entre reinos e famílias para se chegar ao poder.


As fortificações, as armas, as barreiras naturais que havia nos Fjörds eram de extrema importância para que cidades como Birka e Hedeby, grandes reinos e cidades portuárias na Era Viking, fossem protegidas de saques promovidos por reinos rivais, pois tomar essas cidades era obter o controle comercial que existia entre o mundo escandinavo e os assentamentos na Europa no século X.


As muralhas no mundo viking, como em Hedeby, Birka, Århus e Västergarn, eram semicirculares e com a faceta virada para o mar ou rio, segundo estudos arqueológicos, em Birka e em Hedeby, havia linhas de estacas na água para a segurança de possíveis ataques pelo mar. Essas construções defensivas eram construídas com o material local, ou seja, geralmente de madeira e talvez pedras, segunda a arqueóloga e historiadora Else Roesdahl.


Na esfera rural, existiam certas fortificações, mas eram usadas como refúgio em caso de ataques, há relatos de que quando um ataque era avistado, ateavam fogo em madeiras colocadas no topo da colina para que fosse visto de longe o alerta de ataque. Muitas dessas construções foram se perdendo com o tempo, entretanto, ainda sobraram algumas para que se possa trabalhar e estudar esses documentos.


As fortalezas na Era Viking eram diferentes da que costumamos imaginar quando olhamos as fortalezas no medievo continental, todavia o seu intuito era o mesmo: proteger o rei ou a cidade. Sem dúvida, a maior (em tamanho) fortaleza da Era Viking fora a de Torsburgen – costa leste de Gotland. Essa fortaleza cobria uma área de cerca de 112,5 hectares, feita de pedra e com uma muralha de 2km – segundo estudos arqueológicos, essa fortaleza é datada do período romano tardio e foi reforçada ao longo da Era Viking.


Sítio arqueológico da região de Torsburgen – Suécia


Outra grande fortaleza, também na Suécia, é Bulverket, no meio de Tingstäde Träsk – tendo o lago como uma barreira natural importante. Possui 170 metros quadrados na área central. Muitos objetos de cultura material foram encontrados nessa região, datados da Era Viking.



Bulverket Tingstäde Träsk – Suécia


O Danevirke, protege a fronteira sul dinamarquesa, e é uma das maiores e mais antigas defesas do norte da Europa. O complexo de muralhas consiste em madeiras datadas de vários períodos, a maioria da Era Viking e da Alta Idade Média. O Danevirke foi se mantendo e modificando entre os séculos VII – XIII. A muralha fora reforçada e estendida ao longo do tempo e usadas na invasão prussiana de 1864 e a ultima na Segunda Guerra Mundial pelo exército alemão.


O Danevirke se estende em cerca de 30 km, feitos por vários muros que formam essa grande muralha. Essa defesa fora muito importante para Hedeby, e se estendeu até o fjörd de Schlei, Rheide e Treene, no oeste da Dinarmarca, protegendo os daneses.



A linha vermelha – Danevirke- O muro dinamarquês

Grande parte do Danevirke fora construída por volta de 737, por um rei danês muito poderoso chamado Ongendus, que se recusava a se converter ao cristianismo, e então mandou construir as muralhas iniciais para defender os daneses das investidas dos francos, liderados por Charles Martel contra os saxões em 738. O Danevirke, também, fora construído por conta de conflitos entre os daneses e seus vizinhos: ao sul viviam os saxões, a oeste os frísios e a leste os eslavos.


Logo após Charles Martel, veio o Império Carolíngio liderado por Carlos Magno conquistando a Saxônia entre 770 – 780, logo os daneses e os francos se tornaram “vizinhos” e no século IX tiveram confrontos na fronteira por conta do início do expansionismo viking, com o Rei Godfred, que aumentou a muralha para Hedeby e para o mar do norte.


De acordo com a dendrocronologia, outra grande parte da muralha fora construída no século X pelo reinado de Harald Bluetooth, por conta de conflitos com o Sacro Império Romano Germânico em 968.


Já as fortalezas reais, incomuns no mundo escandinavo da Era Viking, existiram brevemente apenas na Dinamarca, sendo elas: Trelleborg, Fyrkat, Aggersborg e Nonnebakken, sendo que Nonnebakken teve seus “traços” apagados, pois se tornou um monastério na Idade Média. Segundo dados dendrocronológicos, Trelleborg e Fyrkar foram construídas no fim do século X, ambas por Harald Bluetooth.


Essas fortalezas são geometricamente construídas de maneira circular, com as muralhas formando círculos, feitas de madeira e muros de terra, com duas torres, sendo esse círculo cortado por duas linhas cruzadas formando 4 átrios. As fortalezas tinham tamanhos diferentes, mas, geralmente, a mesma forma arquitetônica de serem construídas.



Fortaleza de Trelleborg – Harald Bluetooth (visão de cima)



Fortaleza de Aggersborg


De maneira geral, podemos entender essas interpretações como fruto de nosso tempo, é importante ter clareza da cultura material viking que restou, alguns documentos precisos e outros mais imprecisos, porém os documentos não falam por si, eles são cotidianamente lidos e relidos, muitas vezes sob novos olhares que possibilitam novas leituras.


Muito da Era Viking se perdeu pelo tempo e pela ação do homem, principalmente após a cristianização dos povos do norte, muitas construções tidas como pagãs foram destruídas ou reformadas como Nonnebakken, sendo assim, os documentos encontrados por meios da arqueologia são de extrema valia para o historiador lê-los e interpretá-los de maneira que possa esclarecer acontecimentos e costumes desses locais.

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