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CARTAS DE CORTÉS - PARTE XXIV

Espanhóis Lutam o Pelo Caminho Até Tlaxcala


Logo depois de Cortés e os espanhóis escaparem de Tenochtitlan, eles marcham de volta até Tlaxcala em busca de aliados.


Nós descobrimos que na retaguarda do morro havia uma cidade com muitos habitantes, que nós combatemos até encontrar um terrenos áspero e pedregoso, o inimigo era numeroso, enquanto éramos pequenos e nós estávamos compelidos a cair na cidade, onde o exército estava acampado. Nesta ocasião eu estava bastante ferido na cabeça por duas pedras; E após minhas feridas serem cobertas, eu dei ordens de deixarmos o local, pois não parecia ser um local seguro. Retornando a nossa marcha, nós ainda éramos seguidos pelos indianos em um número considerável, que atacaram nossas tropas, ferindo quatro ou cinco espanhóis e matando um cavalo; Apenas Deus sabe o quão pesadas as perdas foram para nós e quanta morte, dor e sofrimento trouxeram para nossas fileiras e próximo a Deus estava a segurança nos nossos cavalos. Nós derivamos alguma consolação a carne daquele animal, da qual comemos, não deixando sequer a pele ou outra parte dele, de tão grande que era nossa necessidade; Desde nossa partida da Grande Cidade nós não comemos nada senão milho, cozido e tostado; E mesmo assim nós não estávamos com os suprimentos totalmente cheios, tendo que nos subsistir de plantas silvestres.


Vendo que a cada dia nosso inimigo crescia em números e vigor, enquanto ficávamos enfraquecidos e eu naquela noite fiz os enfermos e feridos serem carregados pelos cavalos, para prover uma espécie de muleta e outros meios de assistência, para que pudessem andar melhor, deixando assim os soldados e cavalos espanhóis livres para lutar contra o inimigo. E eu vi que o Espírito Santo havia nos iluminado para eu tomar esta precaução, havia vista o que ocorreu no dia seguinte; Desde que saí de meus aposentos e avançamos uma liga e meia, encontramos uma grande multidão de indianos que cobria totalmente o chão na frente e a retaguarda e nossos flancos, não deixando sequer um lugar desocupado. Eles atacaram de todos os lugares, com tanta violência, que eles se misturaram com seu próprio povo. Eram tantos que não sabíamos distingui-los de nossos aliados. Pensamos que nosso dia final estava próximo, de tão grande que era a força inimiga e tão fraca que era a nossa, exaustos pela fadiga, reduzidos pela fome e sofrendo com os ferimentos. Mas o Senhor nos mostrou seu grande poder e misericórdia a nós, que fomos capazes de sermos humildes perante o grande orgulho e arrogância de nosso inimigo, incutindo uns de seus principais líderes distintos. Grandes números deles pereceram, incluindo seus líderes e alguns homens principais; A multidão deles era tão grande que seja em qual caminho olhava, era impossível lutar ou voar até lá. Nós lutamos a maior parte do dia até que eu roguei a Deus que o seu principal líder caísse em batalha, pois sua morte faria a batalha cessar. Após isso de alguma forma fomos aliviados, mas ainda sofríamos de fome, até que encontramos uma pequena casa nas planícies, e nos campos nós acampamos aquela noite. Daquele local conseguimos ver as montanhas de Tlaxcala, que produziam nem um pouco de alegria em nossos corações; Desde que reconhecemos a terra e sabíamos em qual reino estávamos entrando. Nós, entretanto, não sabíamos o que encontraríamos nos habitantes daquela província, se seria amizade, ou não; Pensar na possibilidade de nos ver reduzidos, talvez eles queiram colocar um fim em nossas vidas, com o objetivo de ganhar a liberdade que antes eles desfrutavam. Esta ideia nos deu uma grande inquietação e nós deveríamos ter renovados as relações com os Mexicas.


- Hernán Cortés, Segunda Carta, Páginas 164 - 166.



Fonte: American Historical Association.


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