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CARTAS DE CORTÉS - PARTE III

Neste terceiro documento de Cortés, iniciam algumas controvérsias históricas e até arqueológicas. Inicialmente, era para este documento ser uma carta simples, com discussões e narrativas do Novo Mundo. Ocorre, que este documento está escrito em terceira pessoa, na qual é um estilo totalmente diferente e estranho de se escrever uma carta pessoal, principalmente para o Imperador Carlos V.


De fato, este documento não foi escrito por Cortés, pessoalmente. É um documento construído delicadamente e com muito cuidado que os homens leais a Cortés escreveram após o comandante espanhol ter desobedecido o governador de Cuba Diego Velasquez e decidiu não apenas explorar o continente, mas sim conquistá-lo.


Cortés Tem Sua Decisão de Conquistar o Continente Defendida


Depois que nós nos tornamos bons amigos (dos povos nativos indígenas vivendo na Península de Yucatán), eles nos deram durante os quatro ou cinco dias em que permanecemos naquelas terras, cerca de cento e quarenta "Real de a ocho", em peças de todos os tipos, e muito finas, tão estimado por eles que parecia que o país deles era bem pobre em ouro, por causa que o pouco que tinham , parte havia vindo de comércio. A terra é muito boa e as provisões são abundantes, tanto em milho, frutas, peixes e outras coisas que eles comem.....Ele (Cortés) os reprovou pelo mal que eles causavam adorando seus ídolos e deuses, e eles o fez entender o que seria o conhecimento de nossa fé no Espírito Santo, e eles os deixou com uma imensa cruz de madeira erguida, e eles ficaram satisfeitos, dizendo que a manteriam para uma grande veneração e a adorariam; Portanto, estes indianos se tornaram amigos e vassalos de Sua Majestade Real.


Eles disseram que o capitão Hernán Cortés saiu de lá, continuando sua viagem, e então chegou em um porto, uma baía, chamada San Juan, onde o então-mencionado capitão Grijalva fazia comércio, do qual uma vasta relação foi feito para Sua Majestade. Imediatamente com sua chegada, os nativos começaram a perguntar quais eram aquelas caravelas que haviam chegado, e como era muito darde do dia, quase noite, o capitão manteve-se na caravela, e ordenou que ninguém fosse até a costa. Logo na manhã do novo dia, o capitão desembarcou com uma grande quantidade de pessoas de sua armada, e encontrou dois dos principais indianos por lá, os quais ele presenteou com algumas de suas roupas, e, falando através de intérpretes, ele deu a entender que partes deste comando partia de Sua Majestade Real, que falava para eles, e o falava a ele que deveria continuar com seus serviços.


Depois que o cacique tinha se despedido de nós, e retornou satisfeito para sua casa, algumas destas pessoas que vieram com esta armada, cavlheiros, e filhos dos cavalheiros, fervorosos a serviço se Nosso Senhor, e de Sua Majestade Real, e desejosos pela exaltação de sua coroa real, e das extensões de seus domínios, e do crescimento de suas receitas, reuniram-se e conversaram com o capitão Hernán Cortés, dizendo que a terra era boa e, julgando pela quantidade de ouro que o cacique trouxe, era razoável dizer que era bastante rica, e que ele e os indianos estavam com boa disposição para com nós. Por estas razões, pareceu não vantajoso para Sua Majestade e seu serviço, fazer o que Diego Velasquez havia ordenado e dito a Hernán Cortés o que fazer: Comercializar para ganhar o máximo de ouro que conseguimos e tendo obtido o ouro, retornar para a ilha de Fernandina (Cuba), com base na ordem que Diego Velasquez havia dito, poderia ser que apenas o capitão teria lucro com isso, e, chegando a um acordo mútuo, nós elegemos como nosso procurador, Alonso Hernandez Potocarrero e Francisco de Montejo, dos quais nós enviamos para Sua Majestade com tudo isso, e que eles possam beijar a mão de Sua Majestade em nosso nome, para que em nossos nomes, e nessa cidade, e neste consleho, eles rezem para que Sua Majestade Real nos favoreça e talvez agrade a Deus, e para Vossas Majestades, e para todo o bem vindouro a esta cidade, como aparecerá com as longas instruções que nós demos a eles dois. Nós humildemente imploramos Sua Majestade, com todo o apropriado respeito, que os receba, e os dê suas mãos reais para eles beijarem em nosso nome, e garanta a eles os favores que eles talvez possam vir pedir e suplicar diante do conselho, e nós, pela razão de, Sua Majestade fazendo isso, além de estar prestando um serviço ao Nosso Senhor, e esta cidade e este conselho, vai nos conceder o favor especial que diariamente esperamos que Sua Majestade Real nos conceda.



Incontestável é a dificuldade e a complexidade que este documento traz ao leitor. Seja para decifrar algumas frases, para compreender a ligação de palavras e para fecharmos todo o pensamento que fora escrito há séculos atrás. Neste sentido, há duas considerações a serem feitas:


Os caciques, foi o nome que os espanhóis deram aos líderes tribais locais. Cortés e os espanhóis tinham diversas relações. Percebam que os espanhóis tinham o objetivo de fomentar o comércio e adquirir mais ouro. Isto, jamais conseguiriam fazer na Europa. Portanto, o próprio rei e o conselho não desejava a guerra com os nativos. Tanto que, a vassalagem prestada fora por meio da conversão e do ensinamento dos costumes do velho continente (vide parte da cruz de madeira).


Por fim, convidamos o leitor a observar a grande preocupação que o séquito de Cortés têm ao enviar a carta para Carlos V. Envia dois homens, mas nas partes finais da carta, a todo momento, usam-se de palavras respeitosas e de inúmeras venias para explicar o ato de desobediência do Capitão perante uma ordem superior. Aliás, ato que deve ter necessitado de bastante coragem. Tanto para os dois homens enviados para a corte imperial, quanto para o séquito que seguiu Cortés. Do desespero, para a Glória total.


Fonte: American Historical Association.



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