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CARTAS DE CORTÉS - PARTE II

Nesta segunda parte de nossa série, Cortés continua seus relatos para o Imperador Carlos V. Seguiremos o mesmo estilo da postagem anterior.


Os Espanhóis Descrevem a Religião Indígena


Todo dia, antes de iniciar qualquer trabalho, eles acendem incensos em suas mesquitas e as vezes eles sacrificam seu próprio povo, muitos abrindo o corpo com facas; E eles oferecem a seus ídolos todo o sangue que flui, borrifando em todos os lados pela mesquita, outras vezes jogando para o alto em direção aos céus, e praticando vários outros tipos de cerimônia, então eles nada começam um empreendimento sem antes fazer um sacrifício aqui.


Eles têm outro costume, horrível, abominável, e merecedor de punição, do qual nós nunca havíamos visto nada igual antes, e é isto, que, as vezes quando eles têm coisas para perguntarem ou solicitarem para seus ídolos, de forma que suas petições fiquem mais aceitáveis, eles tomam vários garotos ou garotas, alguns crescidos a homens e mulheres, e na presença destes ídolos eles abrem seus peitos, enquanto estão vivos, e tiram o coração e as entranhas, e queimam o coração e as entranhas prestados para seus ídolos, oferecendo a fumaça do sacrifício para eles. Alguns de nós acha que isto é a coisa mais terrível e assustadora que já presenciamos ou vimos. É tão frequentemente que estes indianos praticam isso, de acordo com nossa informação, parcialmente eles já fizeram no pouco tempo em que estamos por aqui neste país, que não passou nem um ano que eles não matam e sacrificam pelo menos cinquenta almas em cada mesquita; Isso é praticado e mantido como um costume, desde a Ilha de Cozumel até o país em que estamos agora estabelecidos. Sua majestade pode descansar assegurado que, de acordo com o tamanho da terra, o que para nós parece muito considerável, e pela quantidade de mesquitas que eles possuem, que antes de um ano, desde que nós os descobrimos e vimos, que eles não matam e sacrificam daquela maneira mais de três ou quatro mil almas. Agora, deixe sua Majestade Real considerar se eles não deveriam ser impedidos de cometerem um grande mal e crime, e certamente Deus, Nosso Senhor, estará bastante satisfeito, se, através do comando de Sua Majestade Real, estes povos fossem iniciados e instruídos em nossa tão Sagrada Fé Católica.......


- Hernán Cortés, Primeira Carta, Parte II.

Sacrifício asteca narrado por Cortés

Nesta carta, temos um evidente choque de culturas. Para dar uma melhor imersão e entendimento ao caro leitor, deixamos ressaltar que cortês a todo momento, refere-se aos templos pagãos da religião asteca, como mesquitas. Os Espanhóis, não estavam acostumados com uma cultura de ritos pagãos. O paganismo havia desaparecido da península Ibérica faziam séculos. Duas religiões conflitavam pelo poder daquelas terras: O cristianismo se defendendo do pesado ataque do islã, que conquistou praticamente todo o território do antigo reino Visigodo.


Portanto, Cortés e todos os conquistadores que estavam presentes com eles, tinham acesso e conhecimento apenas de duas grandes culturas e religiões, e sendo ambas, monoteístas. A mesquita, é o templo islâmico. Vale ressaltar que Cortés não compara os astecas aos islâmicos, mas mais uma vez, tenta traduzir para seu soberano, adaptando a sua realidade vivida.


No mais, imaginemos um espanhol, católico, tendo feito uma difícil e complicada travessia, além de todo o choque cultural e geográfico que a América poderia oferecer, dar de encontro a uma religião da qual necessitava de muito sangue para se manter viva. Tento imaginar a reação de um conquistador durante um sacrifício que envolvia a retirada do coração enquanto o prisioneiro era vivo.


Fonte: American Historical Association.

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